CARREIRA: Banco atrai cada vez mais estatísticos

Patrícia Gomes
Repórter do Fovest
Folha de S.Paulo


Se você tem um pedido de crédito aprovado pelo seu banco, isso quer dizer que, antes de receber a resposta, alguém verificou os seus dados pessoais, cruzou com informações sobre seus antecedentes como bom pagador na praça e considerou que o risco de você não pagar o empréstimo é pequeno. A pessoa que fez todas essas análises foi um estatístico.
Para que tais estudos sejam possíveis, o bacharel em estatística deve ser capaz de manipular um volume muito grande de dados, estabelecer relações entre eles, interpretá-los e antecipar cenários futuros. “Somos cartomantes racionais”, diz Carlos Alberto Pereira, chefe do departamento de estatística do IME (Instituto de Matemática e Estatística), da USP, sobre os estatísticos.
Como as habilidades de lidar com bancos de dados, probabilidades e previsões são necessárias nas mais variadas áreas do mercado de trabalho, os estatísticos estão por toda a parte.
A área financeira é apontada por Doris Fontes, coordenadora-geral do Conre-3 (Conselho Regional de Estatística da 3ª Região, que inclui SP), como a que mais tem atraído recém-formados. Mas eles ainda podem atuar em outros campos.
O comprimido para dor de cabeça mais barato só foi considerado um remédio genérico depois que estatísticos fizeram uma infinidade de análises probabilísticas e comprovaram sua eficácia terapêutica. As pesquisas eleitorais, o planejamento estratégico das cidades e até as previsões sobre as chances de seu time cair para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro têm o dedo do estatístico.
A interdisciplinaridade é uma das principais características da profissão. “Temos de interagir com pessoas de outras áreas, falar a língua delas”, diz Tiago Mendonça, 26, formando da USP que trabalha com bioestatística, no instituto de psiquiatria da universidade, fazendo análises a partir do comportamento de pessoas que sofrem com transtorno bipolar.
As áreas são tantas que, para quem está prestes a entrar no mercado de trabalho, como Tiago, não falta emprego. “Não tenho nenhum aluno desempregado”, diz o chefe do departamento de estatística do IME-USP sobre os estudantes do último ano de estatística.
O Conre-3 tem atuado na divulgação do curso em escolas para tentar angariar mais alunos para a graduação.
“A estatística é muito pouco procurada e a taxa de evasão é alta. É relativamente fácil de entrar, já que a concorrência é baixa. Mas o curso é muito pesado”, diz Doris Fontes.
A graduação envolve disciplinas aprofundadas de matemática, cálculo, teoria das probabilidades, técnicas e métodos estatísticos e computação.

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